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BP anuncia grande descoberta de petróleo no Brasil

O poço fica no campo de Bumerangue, que tem mais de 300 quilômetros quadrados de extensão e fica na Bacia de Santos, a cerca de 400 quilômetros da costa do Rio de Janeiro. O campo, arrematado em 2022, é 100% da BP, e o profit oil – a participação que a BP tem que pagar à União – é um dos menores do Brasil (5,9%), enquanto em outros campos do pré-sal o profit oil chega a 50%.

A descoberta não poderia vir em melhor hora para a BP, que está retomando seu foco em combustíveis fósseis após uma incursão fracassada em renováveis. A empresa é vista como alvo de uma potencial oferta de aquisição pela Shell.

A petroleira detectou que o poço possui níveis elevados de dióxido de carbono, o que pode complicar e encarecer a extração. Colocar um campo de águas profundas em produção no Brasil pode levar de quatro a 10 anos.

Além disso, há o exemplo negativo do campo de Libra, da Petrobras, que também apresentou bons resultados inicialmente, mas a área com viabilidade econômica acabou representando apenas 25% a 30% da estrutura geral, Marcelo de Assis, sócio da MA2 Energy.

Bumerangue é a décima descoberta da empresa em 2025 e a maior desde 1999, quando perfurou o campo de gás Shah Deniz, no Mar Cáspio. “Estamos empolgados em anunciar esta descoberta significativa (…) a maior realizada pela BP em 25 anos”, afirmou Gordon Birrell, vice-presidente executivo da BP, em um comunicado.

O campo de Bumerangue fica na mesma região do bloco de Aram, área de exploração operada pela Petrobras em parceria com a estatal chinesa CNPC, onde em maio foi identificada a presença de petróleo. A estimativa da ANP é de que Aram tenha 29 bilhões de barris de petróleo in place, volume considerado excepcional pelos técnicos da reguladora.

Nesse cenário, a perspectiva para Bumerangue é também de um grande volume de reservas, como observa Alexandre Szklo, professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ. “O CO2 em alta concentração impede a exploração do gás natural. Quando se comprime o gás junto com o CO2, se forma clatrato, um composto sólido que corrói o duto de transporte do gás para a costa. E deixar que o dióxido de carbono vá para a atmosfera, claro, não é uma solução, porque isso implica num aumento na emissão por barril de petróleo” explica.

Imagem Perfil Redação Portal Cidades BR

redação

Jornalista, especializada em economia, petróleo e assessoria de comunicação empresarial e pessoal.

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