Federal investiga líder de governo e irmão prefeito de Macaé com facções e milícia
A Polícia Federal investiga o envolvimento de Márcio Rezende, irmão do prefeito de Macaé e Cesinha, ex-presidente da Câmara e atual líder de governo em esquema capaz de coagir eleitores, financiar ilegalmente campanhas e lavar dinheiro por meio de empresas contratadas pela Prefeitura e pela Câmara Municipal. Relatórios do COAF indicam movimentações financeiras que somam centenas de milhões de reais. E uso de gatonets, distribuidoras irregulares de gás e empresas registradas no Rio e na Paraíba para movimentar recursos ilícitos, abastecer campanhas e dar suporte territorial a candidatos apoiados por facções e grupos paramilitares.
A questão foi levantada durante a Operação Nova Capistrum, deflagrada nesta terça em Macaé e Paraíba. Foram 16 mandados de busca e apreensão em Macaé e 5 na Paraíba. A Polícia Feral não confirma mas apura o vazamento de informações sigilosas analisadas pela PF e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Os suspeitos investigados teriam sido alertados sobre a ação se tornou o principal desdobramento da ofensiva.
Segundo informações sigilosas analisadas pela PF e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), políticos e articuladores ligados ao núcleo investigado teriam recebido, cerca de uma semana antes da operação, orientações para trocar aparelhos celulares e alterar rotinas. Há indícios de que alguns alvos não apenas substituíram os dispositivos, como também passaram a utilizar números novos, o que reforça a hipótese de vazamento prévio. A movimentação atípica levantou suspeitas de tentativa de ocultar provas e dificultar rastreamentos, levando os investigadores a concentrar esforços em identificar a origem do possível alerta.
A PF identificou o uso de gatonets, distribuidoras irregulares de gás e empresas registradas no Rio e na Paraíba para movimentar recursos ilícitos, abastecer campanhas e dar suporte territorial a candidatos apoiados por facções e grupos paramilitares. Na Paraíba, agentes federais cumpriram mandados em um condomínio de luxo em Intermares, em Cabedelo, e em endereços na área central de João Pessoa. Segundo os investigadores, as diligências estão diretamente ligadas ao núcleo de Macaé, indicando ramificação interestadual do esquema. Os investigados responderão pela prática dos crimes de corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
