Secas, enchentes e alterações de marés obrigam empresas marítima a rever operações
As mudanças climáticas deixaram de representar apenas um desafio ambiental e vêm se tornando uma questão estratégica para toda a cadeia logística marítima. Eventos extremos, como secas prolongadas, enchentes e alterações nas marés, impactam operações portuárias e o abastecimento de embarcações, exigindo que o setor esteja preparado para cenários cada vez mais imprevisíveis.
O futuro da indústria marítima depende de sua capacidade de adaptação e modernização. A resiliência da cadeia de suprimentos será um dos principais diferenciais competitivos do segmento nos próximos anos, apoiado pelos esforços da descarbonização e digitalização de processos.
“Eventos extremos mostram que o setor marítimo precisa, hoje, trabalhar com planejamento, estoques estratégicos, diversificação logística e capacidade de resposta rápida, tudo alinhado com as exigências regulatórias. A mudança climática já faz parte da gestão de riscos dessas empresas”, destaca o CEO da Maritime Ship Service, Thiago Nascimento.
Ao mesmo tempo, o Brasil, hoje, investe fortemente em projetos públicos e privados, que impulsionam processos de modernização de estaleiros, transição energética, retrofit de embarcações, construção de estaleiros e embarcações, e fortalecimento da infraestrutura portuária. O Porto de Suape, por exemplo, possui o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina.
Esse cenário acompanha uma transformação global da indústria naval. A Organização Marítima Internacional (IMO), agência das Nações Unidas responsável pela regulamentação do transporte marítimo, estabeleceu uma meta para o setor de descarbonização até 2050. Entre as estratégias para alcançar a meta estão a digitalização do setor, o aumento da utilização de combustíveis de baixa ou zero emissão e a renovação de frotas, por exemplo.
Segundo Thiago Nascimento, essas mudanças representam um desafio significativo, mas também uma oportunidade para o Brasil ampliar sua relevância internacional. “O país reúne vantagens competitivas importantes. Temos uma matriz energética predominantemente renovável, liderança na produção de biocombustíveis, potencial para combustíveis de baixo carbono e uma posição estratégica no comércio global. Combinar sustentabilidade, inovação e eficiência logística fortalecerá ainda mais o Brasil no cenário da indústria marítima internacional, mesmo em cenários de instabilidade”, afirma.
Preparação hoje, competitividade amanhã
O país hoje vive uma forte onda de investimentos de setores público e privado, visando atrair recursos internacionais, garantir certificações para a indústria brasileira de combustíveis sustentáveis, e criar corredores marítimos verdes, entre outras iniciativas. A postura proativa do setor marítimo no Brasil vai de encontro às metas da IMO, viabilizando a resiliência das operações nos portos.
Além dos investimentos em sustentabilidade, a capacidade de adaptação de cada empresa será um ativo estratégico, segundo sinaliza Thiago Nascimento.
“As empresas que conseguirem antecipar riscos climáticos, criar planos de contingência e manter operações resilientes com equipes bem qualificadas estarão mais preparadas para atender um mercado que exige eficiência, segurança e continuidade operacional. As mudanças climáticas deixaram de ser uma projeção para o futuro. Elas já influenciam as decisões do presente. Preparar-se para essa realidade será um diferencial competitivo “, defende o especialista.
